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  05/04/2021 às 12h45

Fuja


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Fuja

A sétima arte abriga diferentes tipos de pessoas abusivas, controladoras e violentas. Essas figuras dotadas de uma psicopatia ímpar consegue em suas histórias causar a revolta necessária no público, que torce por suas vítimas, desejando que o desfecho tão ruim quanto as ações do antagonista possam vir sobre aquele ser tão cruel! Mas se desta vez a pessoa em questão é uma mãe tentando proteger sua filha do que o mundo a pode causar? Por um momento isso pode até passar pelo pensamento do espectador, porém logo é deixado lado!

Assim, em 'Fuja', filme distribuído pela Netflix, conhecemos mãe e filha que vivem uma vida aparentemente normal, contudo toda essa normalidade está prestes de ser abalada em um thriller que certamente irá chamar sua atenção do começo ao final. Seja pela trama interessante, com uma carga assertiva de suspense ou pela excelente performance de Sarah Paulson! Quer combinação melhor?

Diane cuida de sua filha Chloe que é cadeirante com muita dedicação. Já a adolescente está em época de finalizar os estudos e ir para faculdade, mesmo que tenha aprendido tudo em casa, devido as comorbidades que possui. Entretanto, a jovem passa a desconfiar das atitudes da mãe quando uma medicação não é a correta. Assim, descobertas irão colocar em dúvidas essa relação, mexendo em questões do passado que serão totalmente mortais! 

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Aneesh Chaganty é quem comanda a produção estabelecendo desde o começo uma atmosfera de tensão e suspense que irá capturar a atenção de quem assiste. O diretor (que fez o excelente Buscando), sabe como trabalhar cada elemento do gênero para que sua história ganhe o tempo certo de entregar as reviravoltas e momentos de tensão. Para isso, a câmera explora os ambientes, tornando a casa onde grande parte da trama acontece algo monumental, cheia de perigos e assustadora por si só. Em contrapartida, a fotografia acinzentada nos remete a um ar de opressivo e sufocante! Nisso, Chaganty escolhe não seguir pelas convencionalidades de outras narrativas que já usaram de elementos parecidos e isso faz com que não existam sustos que são intensificados pela trilha sonora ou pontos jogados de qualquer jeito na trama.

Deste modo, quando iniciamos o filme entendemos que algo não está certo. Seja com Chloe ou com sua mãe, algo não está alinhado naquela vida em família. Logo os acontecimentos ganham forma através das correspondências que chegam, um computador usado na madrugada, uma ida ao cinema e até mesmo um jantar. Em cada um desses pontos o diretor coloca uma boa dose de apreensão, como se o pior fosse surgir em tela de forma abrupta, principalmente por contar com performances que irão entregar de maneira correta o medo e o conflito necessário. Porém o diretor sabe com quem está trabalhando!

E o nome disso tudo é Sarah Paulson! A figura bondosa, atenciosa e dedica da mãe desde começo ganha estranhos traços de exagero, de cautela excessiva e abusiva. O comportamento numa reunião de pais é justamente o impulsionador dos questionamentos! Por isso, Paulson dá a sua Diane um ar doce, ao mesmo que o tom de voz se modifica à medida que ela conversa com sua filha ou precisa resolver outras situações, culminando em uma figura amedrontadora e sádica ao mesmo tempo. Já Kiera Allen consegue acompanhar o trabalho de sua companheira de cena. Ela entrega fragilidade, medo e coragem num misto de sentimentos que fazem o público criar a empatia, e torcida necessária, por sua personagem.

A obsessão por outra pessoa já foi retratada em diferentes obras! Das mais clássicas como "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?", até as mais caricatas como "Colega de Quarta" e "P2: Sem Saída". Mas isso não quer dizer que haja espaço para novas abordagens e até mesmo mais próximas da realidade.

Obviamente não há como não relacionar a narrativa do longa com a da série The Act, estrelada por Patricia Arquette, só que desta vez assumimos mais a ficção e os elementos do terror, do que necessariamente relatar acontecimentos reais. E Aneesh Chaganty, sabe disso, pois ao assinar o roteiro, ele consegue seguir a "cartilha" das figuras odiosas que com suas ações abusivas passam a conquistar a aversão do público até o clímax. 

E assim a história ganha uma construção assertiva dos mistérios e da tensão entre as personagens. Desde as conversas na mesa de jantar, a presença oculta na escuridão observando as atitudes, os pequenos detalhes ditos, a forma de pegar as cartas que chegam pelo correio, os remédios que são entregues ou o fato da jovem não ter um celular, nos demonstra os perigos que daquela conexão familiar. O que transforma completamente o jeito que Chloe passa olhar para sua mãe, a levando a atitudes extremas para que sua vida ganhe outro rumo, nem que para isso seja necessário escapar de alguém que aparenta amar incondicionalmente, desde que a obediência permaneça como alicerce dessa relação.

'Fuja' é um sensacional thriller de suspense que consegue prender a atenção do espectador do começo ao fim! Ao passo que vamos conhecendo a vida de Chole e Daiane, os elementos da trama nos entregam a estranheza daquela relação familiar que irá culminar em atitudes extremas numa via dupla. Onde uma segue pelo amor demonstrado excessivamente e outra pela verdade que será fundamental para mudar até os seus sentidos.

Com isso, Aneesh Chaganty se torna um diretor competente dentro do gênero, capaz de contar uma boa história, mesmo que utilize nuances já trabalhadas em outras obras. E para isso emprega personalidade e criatividade para cativar o público! Ao mesmo tempo que dá liberdade para brilhantes atuações de Sarah Paulson e Kiera Allen.

Assim, a lista de psicopatas da cultura pop ganha uma nova inserção. Uma inserção doce, dedicada e maternal! 

Fuja está disponível na Netflix! 

Will Weber
Geek Guia

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