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  14/12/2020 às 10h33

Freaky: No Corpo de um Assassino


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Freaky: No Corpo de um Assassino

O gênero de terror tem ganhado diversas ramificações nos últimos anos e inspirações em outros gêneros e subgêneros do cinema. Ao mesmo tempo que traça uma linha nova contando histórias pautadas na realidade e nos problemas sociais presentes no cotidiano. Mas em meio a tudo isso sempre há espaço para aquele tipo de produção que irá subverter, brincar e fazer referência com tudo o que já foi feito, além de trazer algo a mais para essa narrativa.

Deste modo, Freaky: No corpo de um Assassino, chegou aos cinemas com o clássico elemento da troca de corpos entre os personagens principais, porém nada de problemas familiares por aqui, estamos falando de um assassino no lugar de uma adolescente comum. Então prepare-se para o que a gente tanto gosta: um filme de slasher, com uma nova proposta e ainda não esquecendo dos bons e velhos costumes do terror, e isso incluiu muito sangue!

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Millie é uma adolescente comum do ensino médio! Tem seus problemas, suas frustrações, sua paixão, mas tudo isso muda quando ao ser perseguida por um assassino em série acaba apunhalada por uma estranha adaga. Logo, os dois trocam de corpos e isso se torna um terrível problema, pois Millie, agora no corpo do assassino deverá convencer os amigos de quem é, ao mesmo tempo que precisa deter o maníaco que está em seu corpo antes que ele comece uma carnificina tendo como alvo as pessoas que a jovem conhece!

Christopher B. Landon dirige e escreve o longa que se apoia na conhecida trama de troca de corpos muito utilizada em comédias como 'Se eu Fosse Você', 'Sexta-Feira Muito Louca', 'Garota Veneno', 'Coisas de Meninos e Meninas', entre outras, contudo o que encontramos é um exemplar de slasher que faz uso desse aspecto para mesclar aos elementos conhecidos do terror com perseguição de adolescentes do ensino médio.

Para isso, o diretor sabe como criar sequências que nos colocam atentos aos movimentos de câmera, nos enganando diversas vezes quanto ao que irá acontecer de fato. Um desses momentos é a ótima cena de abertura que abraça completamente o que já foi realizado no gênero, além de dar visceralidade para a situações. Logo o comando não economiza na violência gráfica, criando momentos interessantes de maneira mórbida. E isso, eleva ainda mais o aspecto de terror da trama, mesmo que saiba dosar as questões de comédia de maneira assertiva, sem pesar para nenhum dos lados.

Lógico que parte desses acertos se deve a dupla de protagonistas. Vince Vaughn consegue tanto imprimir Millie quanto seu assassino sem nenhuma dificuldade. O ator é engraçado e amedrontador de igual forma, usando isso ao seu favor e até mesmo brincando com as caricaturas de seu personagem. Ao mesmo tempo, Kathryn Newton se torna cruel na medida certa quando incorpora o serial killer e doce ao ser Millie, e nessa mescla de personalidades, a atriz nos criar a empatia necessária para torçamos por sua recuperação, ao mesmo tempo que os atos de "vingança" cometidos também servem para fundamentar ainda mais o trabalho dentro do terror.

O Texto de 'Freaky' segue o que podemos encontrar em qualquer outra produção com a temática de assassino psicopata perseguindo um grupo de adolescente. Entretanto, o algoz dessa vez está no corpo de um deles. E nessa dinâmica as possibilidades são amplas e cheias de situações que colocam a narrativa entre a linha da comédia e do suspense, tornando a história ainda mais atrativa para quem assiste.

Pois se Millie estando no seu corpo sofria bullying pelas colegas de classe e por um dos professores da escola, agora tendo outro hospedeiro, as coisas mudam! Tais colegas recebem o castigo que merecem e o docente que tanto perturbava a jovem, ganha um destino nada agradável. Em contrapartida, a jovem no corpo de um bandido procurado precisa se esconder, se esquivar e entender o que está acontecendo, o que envolve todas as questões místicas possível encontradas numa rápida pesquisa no Google.

Talvez os únicos pontos que a produção não soube realmente trabalhar foi na exploração do elemento da troca de corpos! Tudo é previsível e até mesmo os alvos do/da assassino(a) já são possíveis de identificar. Desta forma, a narrativa acumula situações que não ajudam no ritmo da trama o que faz o segundo ato perder força, mesmo que carregado pelo carisma dos protagonistas, e o clímax se delongar de forma desnecessária! Ouro entrave são os amigos se tornam apenas o estereótipo já conhecido do cinema de terror! Pode ser que a piada seja essa mesma, contudo soa como preguiçosa por parte do roteirista.

Roteiro esse que ao sairmos dessas questões divergentes, consegue brechas para colocar referências a clássicos do terror como Sexta-Feira 13, Halloween, Eu sei o que vocês fizeram no Verão Passado e Pânico. O que nos faz deixar de lado os pontos citados acima, aproveitando ainda mais a "galhofa" de pouco mais de 90 minutos.

Freaky: No corpo de um Assassino presta uma homenagem brilhante aos clássicos do terror ao mesmo tempo que consegue inserir elementos que deixam a trama ainda mais convidativa de se assistir. Pois o embate pela sobrevivência envolvendo corpos trocados é tão engraçado quanto amedrontador.

Com uma direção que abraça a diversão e os pontos necessários para um bom slasher, encontramos um exemplar executado com assertividade dentro dessa nova leva de obras que conseguem utilizar nuances pouco exploradas no gênero clássico do cinema, mesmo que em certas situações transpareça uma certa preguiça em amarrar e explorar ainda mais o que se tem em mãos.

Ao final, nunca antes na história do cinema trocar de corpo com outra pessoa foi tão perigoso e eu acho difícil que Tony Ramos e Gloria Pires passariam por isso tranquilamente. Eles não gostariam de ser a Millie com certeza!

Freaky: No corpo de um Assassino está em cartaz nos cinemas!
 

Will Weber
Geek Guia

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