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  22/02/2021 às 15h25

Eu Me Importo


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Eu Me Importo

Um golpe bem aplicado pode ser tornar uma história bem contada no cinema! Isso é algo que já vimos diversas vezes em outras histórias que nos fazem criar empatia pelo golpista ou a raiva por suas atitudes cada vez mais antiéticas. E se tudo der certo, esse tipo de narrativa ainda consegue emplacar um certo tom cômico, nos fazendo dar risadas, mas ao mesmo tempo questionar se achar graça naquele momento é realmente o correto!

Deste modo, Eu Me Importo, traz todos os elementos acima de maneira assertiva e bem estruturada, pautada ainda na excelente atuação de Rosamund Pike que firma ainda mais seu nome em produções que transitam entre o suspense, o drama e a comédia, contando uma jornada que facilmente poderia acontecer no cotidiano.

Marla Grayson é uma curadora de idosos, designada pelo governo sempre que uma pessoa não está mais em condições de cuidar de si mesmo. Ao mesmo tempo, a moça que parece totalmente dedicada ao seu trabalho, vai aplicando golpes, se apossando dos bens de seus clientes indefesos. Até o momento que ao assumir a tutela de uma senhora aparentemente sem problema algum, Marla se vê numa trama que irá colocar sua vida em risco e de todos que estão à sua volta, envolvendo muito dinheiro e a máfia! 

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J Blakeson escreve e dirige a produção da Netflix envolvendo elementos que não fazem de seu filme apenas mais uma narrativa sobre golpes, mas consegue estabelecer uma linha de pensamento no público onde é difícil reconhecer quem realmente são as figuras do bem e do mal no decorrer da história! Pois por mais que pareça clichê, o espectador sempre procura torcer por alguém! Juntando a isso tons de comédia e suspense que vão criando cada vez mais a vontade de querer saber até onde toda aquela circunstância irá resultar.

E assim, a direção vai estruturando seu filme e nos revelando as intenções de sua protagonista, as ações e a forma como pensa, age e sai sempre vitoriosa de tudo o que faz. Para que isso fique ainda mais evidente, a escolha de cores claras, quentes, e de uma luminosidade intensa, fazem dos ambientes percorridos por Marla sempre os mais agradáveis possíveis, como se a sua presença fosse responsável por dar o tom do local. E é!

Além disso, aproveita-se para brincar com planos sequência, câmeras que transitam pelos ambientes, posicionamentos que geram contraste entre os personagens e lógico, dão a intensidade necessária para a personagem de Rosamund Pike!

Desta forma, o diretor entende que tem em mãos uma atriz capaz de "roubar" (não literalmente desta vez) a narrativa para si e isso faz com que a presença de Marla dê o ritmo para todos os acontecimentos e performances. Logo, Rosamund Pike entrega não apenas uma persona odiosa, mas verossímil e coesa dentro de sua personalidade. Pois se começamos achando que a jovem faz o que faz apenas pelo simples prazer do dinheiro, aos poucos vamos sendo entregues a novas camadas do texto e obviamente, a memoráveis sequências de Rosamund atuando!

Dificilmente começamos 'Eu me Importo' torcendo por Marla, pois já de início somos apresentados a uma mulher que utiliza das fortunas acumuladas por idosos para enriquecer, ao mesmo tempo que convence a justiça de que ela é a melhor pessoa para cuidar de cada uma dessas pessoas quando aparentemente não podem mais fazer isso. E golpe, atrás de golpe, esquemas envolvendo casas de repouso e médicos, a construção da protagonista é justamente para que venhamos a sentir raiva de suas ações.

Mas como toda boa narrativa, há sempre um ponto de virada.

Não completo, muito menos a tornando uma mocinha em busca de redenção, porém alguém que precisa manter sua vida, sua carreira e a estrutura que ergueu. Por isso, quando a história vai se tornando complexa, envolvendo a sua nova tutelada, o roteiro se encarrega de nos entregar uma figura capaz de se opor a Marla no mesmo nível. Até mais mortal, se podemos dizer dessa forma. Assim, a disputa de poder, controle e inteligência ganha uma nova forma em tela, e novamente o espectador se vê capturado por uma história que certamente trará aquele gosto agridoce em seu desfecho! 

'Eu Me Importo' nos faz transitar pelo drama, suspense e comédia de uma maneira assertiva, dinâmica e com uma protagonista capaz de nos gerar diversos sentimentos. E enquanto a trama vai se tornando cada vez mais complexa, tanto direção quanto texto do longa nos mostram que nem todo mundo é totalmente bondoso, tão pouco, adepto a maldade em todo tempo. Gerando um conflito que nos prende a história até os minutos finais.

Neste pensamento, a direção transforma sua personagem principal em uma presença odiosa e ao mesmo tempo, arrebatadora, principalmente por conta da atuação de Rosamund Pike que faz com que os demais membros do elenco orbitem as sequências e deixem o espaço para que cada vez mais sejamos capturados por Marla.

E assim, a produção se encarrega de nos dar uma lição muito importante: Quem se importa com o outro precisa tomar cuidado para não esquecer de se importar consigo mesmo, mas por via das dúvidas, saiba negociar um valor alto com máfia! Às vezes dá certo! 

Eu me Importo está disponível na Netflix

Will Weber
Geek Guia

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