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  21/06/2018 às 8h46

Estudantes criam impressora 3D para imprimir próteses para as mãos, e projeto é citado em relatório da ONU


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Estudantes criam impressora 3D para imprimir próteses para as mãos, e projeto é citado em relatório da ONU

A pesquisa entre estudantes pode ir além de laboratórios e dos muros da escola. Alunos de um colégio estadual de Jardim Alegre, no norte do Paraná, decidiram ajudar crianças e jovens que não têm uma das mãos inventando uma impressora 3D a partir de peças que virariam sucata.

Com o equipamento, a escola passou a imprimir próteses de mãos. A proposta ultrapassou fronteiras e chamou atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que citou o projeto em um relatório sobre sustentabilidade.

Alunos do ensino médio e técnico e professores do Colégio Estadual Cristóvão Colombo desenvolveram, ao longo de um ano, o equipamento em conjunto com um engenheiro de Ivaiporã.

A ideia surgiu depois que a presidente da Associação Dar a Mão, de São João do Ivaí, criada para ajudar pessoas que têm a Síndrome de Brida Aminiótica ou um dos membros amputados, comentou com a diretora do colégio sobre a necessidade de apoio.

O grupo constatou que entre os 15 mil habitantes de Jardim Alegre, onze não tinham uma das mãos. Foi então que a diretora decidiu lançar a ideia para os alunos, que toparam na hora.

"A presidente da associação tem uma filha que nasceu sem uma das mãos e, durante uma conversa, falou que a entidade precisava de ajuda. O colégio entrou como parceiro desse projeto criando a impressora", conta a diretora do colégio Sara Jane Jean Domingo Al-Ghadban.

Alunos passaram por um treinamento com o engenheiro que montou a impressora com peças de sucata   (Foto: Sara Jane Al-Ghadban/Arquivo Pessoal)

Com a ajuda do engenheiro, os alunos reuniram peças velhas de computadores e outros eletrônicos para montar a impressora que, no fim, custou R$ 1.000.

O projeto deu tão certo que em fevereiro deste ano o governo do estado deu uma impressora 3D novinha para o colégio. Com isso, a instituição tem dois equipamentos à disposição.

Depois disso, os estudantes participaram de cursos para aprender a imprimir e a mexer em um software gratuito americano para a construção de dispositivos nessa máquina. O treinamento foi realizado pelo Núcleo de Pesquisa de Tecnologia Assistiva da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

"A associação recebe os pedidos de produção de prótese e nos passa. Depois da solicitação da associação, produzimos os dispositivos com filamento de polipropileno. Não cobramos nada pela produção, o dinheiro necessário para a elaboração dos dispositivos vem da comunidade e as próteses são doadas. ", conta Sara Jane.

Organizações das Nações Unidas (ONU)

A pesquisa e a criação das próteses pelos alunos e professores do colégio ganhou notoriedade e foi citada em um relatório das Organizações das Nações Unidas (ONU) em 2017.

A diretora Sara Jane Al-Ghadban explica que o projeto foi citado por atender as metas de inclusão social e preocupação com a sustentabilidade estipuladas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O projeto também foi apresentado na feira nacional de impressoras Expo3DBR que aconteceu em abril deste ano no estado de São Paulo. O projeto da escola representou o Paraná no evento.

"Os alunos têm interesse, basta dar a ideia para eles. Os jovens são muito curiosos e vão atrás para desenvolver o que foi sugerido. Mas, ao fazer isso, é importante que os professores estejam capacitados, preparados. Não adianta de nada pensar no projeto sem saber como fazer, sem dar o suporte necessário", concluiu a diretora do colégio.

Produção a todo vapor

Desde dezembro de 2017, o colégio imprimiu quatro próteses. Os dispositivos foram para Curitiba, Rio de Janeiro, Ceará e uma para um estudante do próprio município.

Cada prótese feita no colégio custa entre R$ 150 e R$ 200.

Atualmente, um aluno do curso técnico em informática é estagiário do projeto e recebe uma bolsa pela prefeitura. Ele é responsável pela produção dos dispositivos, que ficam prontos, em média, em 24 horas.

O estudante Herick Mateus Tachinski de Abreu diz que a experiência foi transformadora. O jovem de 18 anos participou da fase final da construção da impressora, ajudando a encontrar as peças certas para o equipamento.

"Quando comecei o curso [técnico de informática], gostava mais de software do que de hardware. Logo que comecei a mexer com a impressora 3D passei a gostar bastante de hardware, estou até pensando em trabalhar com isso", diz o estudante.

O jovem conta que está no projeto desde a metade do segundo semestre de 2017.

"Estou em um grupo no WhatsApp com voluntários que prestam serviço para a Associação Dar a Mão, são engenheiros, mães que já foram ajudadas pelo projeto, a presidente... Então, qualquer coisa que preciso, peço ajuda por lá também", pontuou.

O aluno do 3° ano do ensino médio do colégio Fábio Henrique Peres entrou no projeto quando a impressora já estava pronta. Ele passou por treinamento para aprender a mexer no equipamento e depois por uma capacitação, no início deste ano, com a PUC-PR.

"É um processo de inclusão muito importante, por isso gostei bastante de me envolver no projeto. As pessoas que receberam as próteses estão felizes, e isso é o mais importante", conta.

Parceria associação e escola

A presidente da Associação Dar a Mão Geani Poteriko, que sugeriu a parceria para a diretora, diz que a impressão das próteses em 3D amplia a capacidade de atendimento da entidade.

"A utilização de prótese ajuda no processo de reabilitação, prevenindo a atrofia muscular. O uso desse dispositivo reflete na parte psicológica da criança ou do jovem, pois dá motivação, e, principalmente, ajuda a parte física. A prótese ajuda a melhorar a musculatura do braço, auxilia na postura e no andar ", explica Geani.

As famílias são acolhidas pela associação e após atendimento com os profissionais da entidade, psicólogos e fisioterapeutas, as medidas necessárias para a confecção da prótese são tiradas e encaminhadas ao colégio, que imprime o dispositivo.

"Além de serem mais baratas do que as próteses convencionais oferecidas no mercado, os modelos 3D são divertidos e coloridos, com temas de personagens e super heróis, o que interferem diretamente na motivação das crianças", conta a presidente da Associação Dar a Mão.

Próteses produzidas por colégio estadual custam entre R$ 150 e R$ 200 (Foto: Sara Jane Al-Ghadban/Arquivo Pessoal)

Escolas conectadas

A Secretaria Estadual de Educação do Paraná (Seed) informou que mantém o projeto Conectados 2.0, que investe em novos equipamentos para a escolas.

Esse projeto envolve 500 unidades escolares. O governo disponibiliza 10 opções de kits tecnológicos, e os colégios escolhem os que mais se adaptam a sua realidade.

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Conforme a Seed, 24 escolas, que atendem cerca de 18 mil alunos, optaram pelo kit que contém uma câmera fotográfica, tripé, impressora 3D e fone. Para a secretaria, essa escolha demonstra que essas instituições tem objetivos voltados à pesquisa e iniciação científica.

Fonte: G1

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