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  14/06/2021 às 14h49

Espiral: O Legado de Jogos Mortais


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Espiral: O Legado de Jogos Mortais

Hollywood entrou na "onda" das continuações que procuram reformular franquias e dar novo tom para uma história já conhecida. Inserindo elementos novos, personagens inéditos, mas mantendo o que há de principal na estrutura da trama, essa movimentação já abraçou diferentes sagas, como Star Wars, e em algumas situações conseguiram arrecadar milhões, em outros, o resultado não foi nada como o esperado pelos produtores!

E talvez esse segundo ponto é o que encontramos em "Espiral: O Legado de Jogos Mortais" que chegou esta semana aos cinemas. Existem ideias interessantes na obra, um conceito bacana, porém nada disso salva o filme da sua falta de afirmação da necessidade de existir dentro de uma franquia consagrada e controvérsia como 'Jogos Mortais'! Assim, nessa trama investigativa e cheia de armadilhas novas, sobram boas ideias em meio ao apego por reformular tudo! Então tenha paciência pois novos jogos vão começar!

Zeke é um policial que está acostumado a trabalhar sozinho, mas sua fama faz com que ninguém de seu departamento o leve à sério. Logo, quando detetives começam a morrer e um imitador de Jigsaw surge, Zeke se vê numa trama que envolve o passado de cada pessoa daquela delegacia e o seu próprio. E isso o levará por entre armadilhas e investigações, contudo o tempo continua correndo, e uma nova vítima está prestes a começar um novo jogo.

Darren Lynn Bousman retorna a franquia após ter dirigido "Jogos Mortais" 2, 3 e 4, entretanto não podemos dizer que este é um retorno propriamente, pois por mais que faça parte de uma história que já possuía oito capítulos, esta por sua vez procura apenas citar os fatos anteriores e criar seu próprio caminho! E nisso o diretor mergulha totalmente! Ele cria sequências com planos longos, abertos, câmeras com um posicionamento diferenciado tentando mostrar que este é um filme dentro do universo de Jigsaw, mas não necessariamente sobre o grande antagonista e suas formas de ensinar lições a quem merecia. Para isso é exigido ao menos um pouco de inventividade nas sequências esperadas das armadilhas.

Acontece o esperado? Sim, porém soa mais como um filme feito por fãs do que uma obra que faz parte de uma saga realmente. Por mais que as sequências dos "jogos" sejam interessantes, a edição não ajuda, tão pouco a atmosfera criada. Pois se num momento temos um policial em uma banheira tentando soltar suas mãos presas prestes a tomar um choque, a cena corta para o protagonista investigando em um local aleatório e até mesmo inserindo piadas durante essa situação.

Ou seja, não há clima de tensão! A direção se perde totalmente nesse quesito tentando gerar uma espécie de "quem poderá ser", dando foco nos rostos dos policiais enquanto eles ficam se entreolhando na delegacia. O que soa completamente caricato e fora do contexto. Nisso, o suspense não se sustenta e o comando perde de explorar acontecimentos que poderiam ser marcantes na produção. Ao invés disso, são rápidos, anticlimáticos, mal montados e entregam um desfecho estabelecido à base do desleixo que o espectador desatento poderá perder o que realmente é revelado!

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Junte isso à péssima direção de elenco! Chris Rock se esforça, tenta, porém não consegue convencer em nenhuma cena do quanto está envolvido naquilo e quando pensamos que vamos descobrir mais do seu personagem, e do porquê de suas questões, ele entrega uma saída bem-humorada que nada se encaixa dentro da narrativa. Sem contar que Max Minghella é apático, Marisol Nichols está perdida desde o começo e Samuel L. Jackson está ali pra dizer que fez parte de outra franquia e pagar alguns boletos!

Verdade seja dita, se Jigsaw existisse na realidade, estaria muito irritado com este filme, pois seu legado em nada foi respeitado ou usado da maneira como deveria! E grande parte desse festival amador de construção de história se deve a um roteiro que não sabe dar atenção aos momentos interessantes. A trama começa com uma armadilha estabelecida com assertividade, logo, temos uma sequência investigativa que remove completamente o senso de suspense estabelecido há cinco minutos.

Desta forma, a própria narrativa anula suas construções com inserções que nada ajudam no desenvolvimento dos personagens, do vilão em si ou dos instantes onde a visceralidade do terror deveria ser o foco. E se a história nos coloca em uma investigação sobre um imitador do Jigsaw por que não utilizar elementos, informações, e até personagens, se fosse caso, para ajudar nessa construção? O que faria maior sentido do que citar John Kramer como se fosse uma entidade que não se pode dizer o nome mais de uma vez ou descontruir certos pontos conhecidos de 'Jogos Mortais'!

E quando chegamos ao clímax da história, tudo ocorre de maneira apressada pois os 40 minutos iniciais da produção não serviram para estabelecer nada! Assim, todas as revelações surgem de forma desleixada, abrupta e nada convincente. Mas o pior fica para os segundos finais antes do filme acabar, com um Chris Rock que para transmitir seriedade fica "cerrando" os olhos o tempo todo, gritando desesperado, demonstrando que até o encerramento parece ter sido elaborado de última hora!

'Espiral: O Legado de Jogos Mortais' não é o pior filme da franquia 'Jogos Mortais'! Este posto ainda fica com os filmes 5 e 6! Porém, está longe de ser um clássico como o primeiro, ou inventivo como o segundo e terceiros capítulos. O resultado mais parece uma produção feita por fãs que conseguiram dinheiro a mais no financiamento coletivo, chamaram atores conhecidos para ajudar e realizaram a sua visão sobre a saga! Mas aqui executada de qualquer jeito, sem emoção, sem suspense e tão pouco fundamentando-se como um "legado"!

Logo, a direção por mais que se esforce e use de algumas inserções interessantes, criativas, não consegue manter o foco na atmosfera de tensão, pois acaba pendendo para o tom cômico ou para trama investigativa enfadonha, e ambas ocupam tempo demais de tela e as armadilhas, que são o atrativo de qualquer produto que carregue Jigsaw consigo, mal se fazem presentes, possuindo nada de impactantes como as anteriores!

Ao final, se a franquia vai continuar é uma dúvida que permanece, ao mesmo tempo, é importante sempre lembrar que certas histórias precisam do seu período fora dos holofotes, distante da mídia, para quem sabe assim, fomentar uma boa ideia. Pois nem tudo podemos chamar de legado! Às vezes é só uma fanfic mesmo!

'Espiral: O Legado de Jogos Mortais' está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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