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  06/04/2020 às 17h21

Em Busca de Zoe


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Em Busca de Zoe

*Este filme está na Netflix

Se formos colocar na ponta do lápis quais adaptações literárias se deram bem na sétima arte, nossa lista pode não ser tão longa assim. Principalmente quando falamos do gênero que traz histórias para os jovens adultos. Logicamente, que não precisamos entrar naquela velha discussão sobre o "livro ser melhor", mas ao menos a gente espera uma certa coesão durante a narrativa e um empenho do elenco para fazer com que aquilo tenha importância.

Esses dois pontos se perdem de Em Busca de Zoe, novo filme da Netflix, onde um mistério vai aos poucos se perdendo dentro da própria atmosfera de suspense e vai se lembrar nos minutos finais o que realmente pretendia fazer.

Em busca do que mesmo?

Echo perdeu recentemente sua irmã, Zoe e isso abalou completamente sua família, refletindo também como as pessoas a tratam na escola. Contudo, há algo de errado na morte da irmã, algo que não foi esclarecido, assim Echo decide procurar pistas por conta própria, revirando o passado de Zoe e descobrindo segredos que talvez ela não gostaria de saber.

Jeffrey G. Hunt comanda a produção que adapta o livro de Alyson Noël de uma maneira um tanto quanto desleixada e nada competente.

Quando começamos a conhecer a história da protagonista, suas dores, seus dilemas, a direção não sabe que tom seguir para contar tudo isso, mesmo que tente mergulhar ainda mais no drama, não há reais situações que indiquem o peso de toda a situação apresentada.

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Ao mesmo tempo, ao apresentar fatos do passado, mesclado aos do presente, a fotografia utiliza do recurso de mudar a paleta de cores, mesmo que em alguns momentos isso confunda ainda mais a percepção do espectador.

Junte isso ao suspense que nunca entrega o que promete, deixando para os minutos finais para que venhamos a ficar mais imersos a narrativa contada e logo tudo termina, fazendo a experiência da produção rápida e praticamente esquecível!

Desta forma a narrativa acaba se perdendo em tudo que procura construir.

A perda nunca é expressa de uma maneira que realmente exista dor pela morte de Zoe. Temos uma mãe que aparenta uma degradação por conta disso, mas está presa a poucas cenas que tentam justificar sua presença. De igual modo temos um pai desconfortável com o papel, que surge para dizer frases clichês que certamente foram retiradas de outras obras, para mostrar que existe um distanciamento por conta da morte da filha mais velha. Por fim, Echo, a protagonista passa a emular os trejeitos de Zoe, tentando reviver os passos da irmã e isso deveria ser um artifício a ser explorado com maior intensidade no decorrer da trama, mas só serve para causar estranheza por conta da fisionomia das atrizes.

Além disso, elementos são esquecidos, acontecimentos são ignorados no decorrer do texto e nem sequer são mencionados, o que acaba completamente com a atmosfera de suspense que se tenta estabelecer. E quando finalmente entendemos o que aconteceu com Zoe, o peso da revelação acaba se perdendo por conta das fracas atuações e da pressa em concluir a história, nos deixando com a sensação de que tudo aquilo poderia ter sido trabalhado de outro jeito!

Em Busca de Zoe é uma produção que não entrega o que se propõe a fazer, perdendo força em seu mistério principal graças a fraca direção de elenco.

Tal ponto faz com que a história se torne esquecível, ao mesmo tempo que os erros da produção saltem aos olhos do mais distraído espectador, que certamente irá questionar pontos da narrativa que não fazem sentido.

Se uma adaptação literária procura trazer os elementos principais da obra de origem, para dar uma experiência palpável de seu texto, o que temos aqui é o caminho contrário, que não consegue emplacar nem drama e nem suspense!

Ou seja, um filme de mistério que se perde no próprio enigma.

Will Weber
Geek Guia

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