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  09/04/2015 às 14h56

Dupla regrava Tom Jobim com viola


Dupla regrava Tom Jobim com viola

Um dos maiores compositores do século 20, Antonio Carlos Jobim não foi apenas um dos pais da bossa nova, e sua obra não apenas abrange o jazz, a música erudita e o samba. Vinte anos após sua morte - completados no dia 8-, Tom é relembrado pela simplicidade e pela poesia de um Brasil profundo, mais rural. Prestes a lançar um álbum em homenagem ao compositor, a dupla Chitãozinho & Xororó não tem dúvidas: Tom Jobim era um compositor sertanejo.

"Ele escrevia canções sobre a natureza, mas as duplas sertanejas não cantavam. Se alguma tivesse se interessado na época, teriam saído coisas maravilhosas", defende Chitãozinho, em entrevista ao UOL sobre o álbum "Tom do Sertão", com lançamento previsto para janeiro. "No íntimo, ele era um compositor de música sertaneja. Quando você ouve o som e os arranjos, você percebe isso."

A ideia de revisitar o vasto cancioneiro jobiniano é antiga. Fãs do maestro, Chitãozinho e Xororó conquistaram a confiança e conseguiram colaboração da viúva do compositor, Ana Jobim, que cedeu a eles o baú de Tom com suas partituras e anotações.

"Pensamos nesse disco há muito tempo, mas o título veio apenas no ano passado. A ideia sempre foi cantar as músicas dele, mas não da maneira da bossa nova, e sim, do nosso jeito, do jeito sertanejo", conta. "Encontramos inúmeras coisas maravilhosas, e acabou virando um disco mais sertanejo do que imaginávamos."

Entre os sucessos já assimilados no imaginário brasileiro, há a regravação de "Águas de Março", "Se Todos Fossem Iguais a Você" e "Correnteza".

A última (ouça e assista ao clipe aqui), peça clássica imortalizada no disco "Urubu" (1976), é acompanhada de viola e acordeom, o que realça as imagens bucólicas presentes na letra, como "E choveu uma semana e eu não vi o meu amor / O barro ficou marcado aonde a boiada passou / Depois da chuva passada céu azul se apresentou  / Lá na beira da estrada vem vindo o meu amor / vem vindo o meu amor / vem vindo o meu amor".

Não a toa, a música foi tema da novela "O Rei do Gado", na voz de Djavan. Para Chitãozinho, a canção sempre foi muito sertaneja. "É que ninguém tinha gravado ela com uma viola ainda", argumenta.

A simplicidade da vida no campo e a força que os elementos da natureza têm sobre a obra de Jobim é o elo principal no álbum. Canções como "Chovendo na Roseira", cantada por Elis no seminal "Elis e Tom" (1974), "Estrada Branca", conhecida do repertório de Elizeth Cardoso, e "Caminho de Pedra" se destacam na releitura dos sertanejos.

"Demos um tratamento para o disco respeitando as harmonias. Não mudamos nada, só o jeito de cantar. Tivemos um trabalho muito grande para colocar a segunda voz, porque são harmonias difíceis, mas chegamos a um ponto bom", explica o cantor. O álbum deve ser acompanhado de uma turnê nacional e um DVD. "Queremos mostrar esse Tom para todo o país."

Chitãozinho aposta: Tom teria gostado da homenagem. "Eu o vi pessoalmente uma vez. Foi a única vez, fui até ele em um restaurante e conversei um pouquinho. Ele falou que a gente tinha muito talento. E eu nunca me esqueci disso", conta.

Fonte: Música Uol

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