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  25/11/2015 às 11h28

Devido à lama tóxica, turistas desistem do verão no Espírito Santo


Devido à lama tóxica, turistas desistem do verão no Espírito Santo

A lama de rejeitos de minério das barreiras rompidas da Samarco, em Mariana, já começou a espantar os turistas que se preparavam para vir ao Estado na alta temporada. Só o setor de hotéis registra 20% no cancelamento de reservas para o período de fim de ano. O percentual de queda é o mesmo para a estimativa do setor em reservas de quartos.

A situação é mais evidente no Norte do Estado, principalmente Colatina e Linhares, onde a lama desaguou no mar pela foz localizada em Regência, segundo Nerleo Caus, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). “Infelizmente está acontecendo uma quebra de reserva. E vai aumentar”, diz.

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Além da preocupação com a qualidade da água do mar, o principal atrativo turístico do Estado, as pessoas tendem a ser preservar e não fazer grandes comemorações ou viagens em momentos de desastres, como o ocorrido em Mariana e com o Rio Doce, na avaliação de Nerleo Caus: “As pessoas tendem a se preservar em desastres assim. E aquilo foi uma catástrofe”.

Segundo registros do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), a lama deslocou-se 30 quilômetros para o norte da foz em Linhares, outros cinco quilômetros ao sul e mais 20 quilômetros a leste, ou seja, mar adentro. O rumo seguido pela lama depende principalmente das ondas e da direção que o vento sopra.

Com essas quilometragens, por enquanto a lama está na altura de Regência e de Povoação, em Linhares.

O balneário Pontal do Ipiranga, na parte mais ao norte de Linhares, não foi atingido pela lama, mas também sofre. “O telefone tocava mais. A lama não chegou mas tem gente que liga e fica na dúvida se cancela ou não. Já deu uma caída nas ligações e nas reservas. Com isso o turismo fica prejudicado com certeza”, afirma Vanessa Gomes, proprietária da Pousada Paraíso, em Pontal do Ipiranga.

Guarapari

O principal balneário do Estado, Guarapari, está longe da lama mas já sente os efeitos dela. Os casos de cancelamentos de diárias são isolados mas a quantidade de telefonemas de turistas com pedidos de informação é incontável desde a chegada da lama ao mar, no último fim de semana.

“Já percebi e muito os efeitos da lama. Mas os hóspedes estão ligando e pedindo informações. Desde segunda-feira eles têm ligado e perguntado se a lama chegou em Guarapari”, relata Fátima Fonseca, proprietária da Pousada Praia do Morro, no bairro de mesmo nome, em Guarapari.

A situação não é muito diferente na pousada de Fernando Otávio Campos da Silva, a Duas Praias, localizada na Praia do Morro.

“Tive um cancelamento, fora as dezenas de mensagens e ligações. Estamos gastando tempo para diz dizer que a lama não chegou aqui”, relata Fernando.

Desconto

Os futuros visitantes de Guarapari aproveitam a lama para barganhar. “Eles ligam e falam que, se a lama chegar, vão querer desconto”, afirma Fátima Fonseca.

Até a chegada da alta temporada, fica o receio de não recuperar em diárias o que costumeiramente os proprietários de pousadas investem nessa época do ano. “Nós começamos a nos programar agora em novembro, faz pequenas reformas, troca as roupas de cama”, exemplifica Fátima.

Apesar do receio, o presidente da ABHI, Nerleo Caus, estima que os turistas que iriam para o norte migrem para os balneários do sul.

Foto: Fernando Madeira
Fonte: Gazeta Online

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