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  24/11/2020 às 18h01

Convenção das Bruxas


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Convenção das Bruxas

Sempre quando um remake acontece dentro da cultura pop, encontramos as mais diversas "opiniões" sobre tal situação. Daqueles que apoiam a nova versão de uma história e os que repudiam com todas as forças a tentativa de tocar em algo que para alguns é "imaculado". E como sabemos, existem narrativas que com o passar dos anos são recontadas, justamente para apresentar tais pontos a uma nova leva de espectadores.

Dito isso, de uma maneira didática e até mesmo redundante, o novo Convenção das Bruxas, se apoia mais na diversão, na aventura e no humor, do que necessariamente num "terror infantil". Ainda que possua elementos, o foco aqui é recontar uma história de um outro jeito, mesmo que usando de uma estrutura semelhante e tudo bem com isso, pois não é ofensa alguma este filme existir em 2020 como não mancha em nada o tal "clássico" da década de noventa". E assim, tanto os que temiam Angelica Huston poderão dar risadas com Anne Hathaway. Basta quererem!

Um menino acaba perdendo os pais em um acidente de carro e por isso passa viver com sua avó, uma senhora doce e ao mesmo tempo exigente. Mas o que era uma fase complexa se torna ainda mais estranha quando o garoto descobre a existência de bruxas que buscam acabar com todas as crianças do mundo. Assim, quando ao lado de sua avó, se hospedam em um hotel luxuoso, uma convenção com todas as feiticeiras começa acontecer ali e tanto o menino, quanto os amigos que conhece, estão perigo pois o mais terrível plano das bruxas será colocado em prática!

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Robert Zemeckis comanda a produção que possui Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro envolvidos. Desta forma, tais informações irão fazer com que o espectador da década de noventa esteja em busca de um filme exatamente igual ao que foi realizado ou que venha expandir. E mesmo que a negativa venha surgir, é óbvio que os discursos se repetem contra esse tipo de remake, mas sempre tomados dos mais diversos eufemismos que o vocabulário possa criar!

Deixando esse ponto "nerd nostálgico" de lado, a nova obra que adapta o livro de Roald Dahl (Autor de Matilda e A Fantástica Fábrica de Chocolate) apoia-se mais na atmosfera de aventura e comédia do que necessariamente nos elementos de terror! E isso é explorado de maneira interessante, pois as bruxas aqui são mais semelhantes, tanto em aparência, quanto em postura (Sim, sabemos que houve toda uma discussão acerca da vilanização das pessoas com deficiência e isso é problemático), trazendo um ar caricato e cômico para todos os seus momentos de maldade.

E nessa construção, tanto fotografia como caracterização são assertivos, ainda que apoiados em excesso na computação gráfica. E esse ponto seja o que menos contribua para momentos importantes da trama, mesmo sem remover a diversão que é apresentada. Pois o que encontramos é um tom mais de fábula do que de um combate contra as forças do mal aterradoras e isso se deve muito pela presença de Anne Hathaway. Sua "Grande Rainha Bruxa" é caricata, exagerada, com um sotaque estridente, mas que se encaixa com maestria a trama, pois a figura mágica se torna bizarra e cativante em alguns pontos!

Esta nova versão de 'Convenção das Bruxas' é um tanto quanto despreocupada em ser um terror ou que nos faça encontrar com uma figura grotesca que irá permear os nossos pensamentos após o término. O foco aqui está nos elementos de aventura que aos poucos vão ganhando a tela.

O protagonista que acaba tendo uma grande perda, a mudança de vida, a pessoa que o aconselha, o inimigo que se apresenta, a magia que se torna fundamental e por fim, o triunfo sobre o mal. É como se nas entrelinhas a jornada do herói ganhasse um tom debochado, caricato e completamente absurdo! E tudo bem com este ponto também! A versão de Zemeckis não é uma “reinvenção” para agradar os adultos nostálgicos ou algo a ser alvo das piores afirmações, é simplesmente um filme que não se preocupa em ser algo maior do que é, ainda que tente apresentar alguns elementos que não são explorados.

O grande mal desse tipo de produção é justamente as comparações e as expectativas de um público que ainda está abraçado em uma memória afetiva que quando tocada, pode fazer imergir os piores comentários e sentimentos. Deste modo, esse novo encontro das feiticeiras que querem destruir todas as crianças do mundo se torna uma versão quase paródica do original, onde o humor e a magia, nas nuances de fábula, são mais importantes do que agradar quem já cresceu!

Convenção das Bruxas, de 2020, é caricato, exagerado, absurdo e se apoia nos tons de humor, aventura e comédia, para apresentar uma fábula sobre figuras conhecidas do folclore e suas maldades! Além de trazer para uma nova geração não o medo, mas o conhecimento de que tais seres podem ser tão reais quanto nossa imaginação consegue elaborar!

Se para alguns Robert Zemeckis não é bom o suficiente quando se trata do "terror infantil" à lá Tim Burton, aqui é possível observar a mão do diretor em contar uma história que seja alinhada a fantasia e a uma jornada tão magicamente cartunesca do que necessariamente criada para assustar!

Assim, nessa dualidade de agradar os mais velhos assustando os pequenos e desagradar adultos para tornar tudo uma aventura infantil, ficamos com o segundo ponto, pois o que já foi feito, foi feito, permanece na memória e poderá ser revisitado. E mesmo que a nova versão não se torne um clássico fez o que pretendia, divertiu, arrancou risadas e nos lembrou que histórias mágicas podem ser contadas de várias maneiras! Que bom, não é mesmo?!

Convenção das Bruxas está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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