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  16/03/2020 às 9h57

Bloodshot


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Bloodshot

Permeando as aventuras mais caricatas, indo até às que se consideram sombrias, realistas, adultas, os últimos dez anos de cinema foi um campo muito frutífero para produtores, diretores e atores que se embrenharam por esse meio. Logicamente, ainda tem gente querendo sua parte nessa fartura!

Desta forma, usando das histórias publicadas pela Valiant Comics, a Sony nos apresenta Bloodshot, estrelado por Vin Diesel. Esta trama não está querendo um espaço simplesmente para mostrar que sabe fazer bilheteria e com uma aventura repleta de clichês, efeitos visuais e um roteiro saído direto dos anos 80, há charme e potencial no que está por vir!

Pois nem só de Marvel e DC o cinema dos quadrinhos sobrevive!

Ray Garrison é um soldado de elite que acaba morrendo após uma emboscada.
Porém, ele desperta em um local chamado RST e descobre que foi trazido à vida graças ao projeto Bloodshot, onde vários micros robôs foram implantados em seu corpo, lhe dando força, resistência e habilidades sobre-humanas. Só que o desejo de vingança por quem acabou tirando a pessoa que amava existe, assim Ray sai em uma jornada para encontrar o assassino, mas nem tudo nessa história é tão real quanto parece!

David S. F. Wilson dirige a produção baseada nos quadrinhos da Valiant Comics, publicados originalmente em 1993!

O diretor demonstra um conhecimento elevado de outras obras da cultura pop, não fazendo referências diretas, contudo nos dando pequenos relances de filmes que tinham uma temática futurista interessante como O Vingador do Futuro e Robocop.

Aqui na verdade, o que importa é colocar o protagonista em ação. Para isso, há uma ênfase nos momentos de combate, justamente para deixar claro em tela a força, a resistência e as capacidades que Bloodshot possui. Mesmo que em alguns momentos o cuidado com essas cenas não seja igual! Quando o personagem de Vin Diesel está em missão, tudo é nítido e acompanha todos os seus movimentos, gerando sequências coreografadas de forma assertiva, porém o mesmo não pode se dizer dos demais. Um exemplo, a personagem KT de Eiza González, ao entrar em conflito, a câmera se distancia, treme, principalmente para "maquiar" a presença da dublê, sendo que seus movimentos lembram muito outra heroína dos quadrinhos que irá estrear seu primeiro filme solo em breve (Um beijo Viúva Negra). Pancadaria à parte, temos um design de produção bem empregado que cria cenários, figurinos e objetos de cena com cuidado, inventividade, ao mesmo tempo que evoca elementos das páginas dos quadrinhos para dar mais sustentação ao quer ser mostrado em tela.

E por isso, encontramos um dos problemas desta aventura! Por mais que exista um esforço em colocar o herói numa constante catarse de golpes e lutas, os poderes nunca são entregues de maneira plena. Não vemos até onde aquilo vai chegar, simplesmente é comentado, dito e as habilidades de Bloodshot se tornam resumidas a ser mais forte e resistente (E o visual de Bloodshot aparece rapidamente para desgosto de muitos)!

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Responsabilidade então do roteiro? Sim, mas precisamos pensar em alguns pontos!

A narrativa trata de vingança, amor e redenção, formando uma tríade de elementos que conduzem o protagonista do seu status de arma tecnologicamente desenvolvida para matar à herói que entende o que precisa ser feito.

Mesmo que para isso o texto não aprofunde em questões importantes como a a real motivação do vilão, o porquê daquele programa existir e quais as funções do demais "aprimorados" quando não estão ao lado de Bloodshot. Tais questionamentos surgem, vão e vem durante toda a trama, entretanto é desta forma que uma história em quadrinhos procede.

Se formos abrir as páginas, o ato de trabalhar com o absurdo, a canastrice e a falta de respostas estão presentes desde a criação das aventuras que envolvem pessoas com habilidades incríveis. Normalmente o gancho fica para o próximo volume, fazendo com que o leitor aguarde e queira adquirir mais daquele produto.

Logicamente, existe uma gama de arcos onde tudo é explicado, elaborado e contado com extremo detalhe, mas é justamente esse caminho oposto que Bloodshot demonstra seguir.

Não há uma preocupação em acontecimentos que tratem do equilíbrio entre o bem e o mal, certo e errado, homem e máquina, o importante neste caso é entregar algo que podemos ler visualmente durante a exibição na sala de cinema. Ninguém está ali para discutir o papel da sociedade na formação do herói ou do vilão e muito menos se preocupar com a situação de milhões desaparecidos, queriam um filme sobre uma HQ, eis um filme que abraça todo clichê, ação e absurdos que estamos acostumados a fazer leitura! E isso é bom!

Bloodshot é um clichê repleto de ação saído direto das páginas dos quadrinhos, literalmente!

E isso funciona!

Com uma direção que explora bem a ação do seu protagonista, atrelada a um design de produção que consegue criar toda atmosfera que encontramos da história original, além dos elementos que a cerca, temos uma adaptação que entrega muito mais do que é ser uma HQ, do que outras já conhecidas e estabelecidas no mercado.

Se este é um início de uma nova franquia, somente os produtores e executivos poderão dizer. Existe vontade, existe empenho e existe um personagem que já abraçou todos os absurdos necessários para fazer que isso dê certo.

E de situações absurdas o ator principal entende há muito tempo, lá na sua franquia milionária motorizada!
 

Will Weber
Geek Guia

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