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  13/11/2015 às 12h05

Autoridades capixabas discutem soluções de abastecimento com Dilma no ES


Autoridades capixabas discutem soluções de abastecimento com Dilma no ES

Após sobrevoar as cidades de Belo Horizonte, Mariana e Governador Valadares, Minas Gerais, nesta quinta-feira (12), a presidente Dilma Roussef vistoriou de helicóptero a situação do Rio Doce no noroeste capixaba e pousou em Colatina para uma reunião na Prefeitura da cidade. Por volta de 15 horas, a chefe do Governo se encontrou com autoridades do Espírito Santo para discutir a situação das localidades que serão atingidas pelos rejeitos de lama nos próximos dias.

Na ocasião, estavam presentes o Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, Governador do Estado, Paulo Hartung, os prefeitos de Colatina e Baixo Guandu, Leonardo Deptulski e Neto Barros – respectivamente-, o Deputado Federal Givaldo Vieira (PT-ES) entre outros. De acordo com a presidente, a situação de Mariana e Governador Valadares, que está em Estado de Calamidade, é grave e, por isso, ações preventivas são fundamentais para a manutenção das condições de sobrevivência das populações. Nesse sentido, Dilma disse estar satisfeita com o Espírito Santo e crente em danos menores que os ocorridos em área mineira.

“Constatamos uma grande quantidade de lama descendo o Rio Doce e estamos preocupados porque o abastecimento poderá ser afetado. Felizmente, estou muito satisfeita com as ações preventivas que o Espírito Santo tem desenvolvido sobre a chegada dos rejeitos porque elas serão estratégicas quanto à captação de água”, declara.

Por exigência da governista, a mineradora deverá construir adutoras para levar água às cidades afetadas no Espírito Santo pela suspensão da captação do recurso devido à chegada da lama. Ela anunciou ainda que toma medidas para atrasar a invasão dos rejeitos ao estado através de ações nas barragens de Mascarenhas e Aimorés, em Minas Gerais.

A lama de rejeitos representa um dos maiores acidentes ambientais da história brasileira, conforme apontou a presidente Dilma, e gerenciar a situação de uma população inteira tornou-se uma missão de foco e determinação colocada em prática pela municipalidade. De acordo com o prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski, as obras de reparo e abastecimento serão feitas com verba pública, se preciso, e em seguida a Samarco receberá notificação de cobrança.

“Não podemos esperar que a empresa se posicione. Vamos agir e investir. Depois cobraremos o valor de quem é responsável por todos os danos: a Samarco”, destaca.

Rio Doce agora é Rio arsênio, bário, chumbo e mercúrio

Um diagnóstico da água do Rio Doce, feito pela Prefeitura de Baixo Guandu, constatou a presença de metais altamente tóxicos. A avaliação do recurso começou a ser feita há dois dias e os resultados foram divulgados apenas hoje.

A conclusão dos laudos é que a água está tão contaminada que não pode nem mesmo ser tratada. As amostras foram colhidas em Governador Valadares – MG a fim de identificar os riscos para os municípios capixabas. Segundo o prefeito da cidade, Neto Barros, o abastecimento em Baixo Guandu será mantido até que os índices de poluentes no Doce ultrapassem as condições de água tratável.

“Enquanto houver água na torneira, a população não corre risco. Bebemos da mesma água e, portanto, garanto que ela não estará impossibilitada de passar pelo processo de tratamento. Caso nossos pesquisadores identifiquem as mesmas condições da água de Valadares, traçaremos outra estratégia. Nesse momento, é preciso manter a calma e a fé de que tudo será conduzido da melhor forma possível”, conta.

Durante reunião com a Presidente Dilma Roussef, Neto Barros fez um alerta sobre o risco da manutenção das atividades mineradoras. Para o Prefeito, as empresas Samarco, Vale e BHP Billiton são displicentes quanto aos desastres naturais que provocam.

“A sociedade não pode mais aceitar essa situação e nem riscos como esse. Precisamos nos mobilizar, fechar a ferrovia da Vale, que transporta minério e passageiros. E faremos esse ato ainda hoje para que a multinacional responda aos nossos pedidos de reparo”, afirma.

E conforme sugerido, a Prefeitura Municipal de Baixo Guandu fechou a Estrada de Ferro Vitória- Minas por volta das 18 horas desta quinta-feira (12). O grupo permaneceu no local durante parte da noite e exigiu uma reunião com o presidente da Vale, multinacional responsável por metade das ações da Samarco. O espaço foi fechado com máquinas e tratores.

A Vale informou por meio de nota que está tomando as medidas necessárias para garantir o tráfego ao longo da Estrada de Ferro Vitória-Minas. A empresa alegou ter disponibilizado quatro vagões-tanque com capacidade total de 260 mil litros de água para buscar água potável em Ipatinga, a 120 quilômetros de Governador Valadares, e ajudar no abastecimento da cidade. A multinacional ainda garantiu que a Samarco disponibilizou à população carros-pipa.

Dilma diz que ajuda da Samarco à população não é o suficiente

Durante a visita ao Espírito Santo, na tarde de ontem (12), em Colatina, a chefe de governo mostrou-se sensibilizada à situação das cidades mineiras e capixabas afetadas pelos danos oriundos do rompimento das barragens em Mariana, Minas Gerais. Na ocasião, Dilma afirmou que a mineradora Samarco terá que arcar, de maneira mais efetiva, com todos os prejuízos e reparos referentes ao acidente, que teve perdas irreparáveis nos âmbitos humano e ambiental.

“Estamos à disposição e auxiliaremos a sociedade nessa fase tão difícil, tanto no Espírito Santo quanto em Minas Gerais. Dentro dos próximos dias, o exército estará presente nessas comunidades para assistir à população e os governos estaduais e municipais - no que diz respeito ao abastecimento das localidades que margeiam o Rio Doce. Mesmo assim, quero deixar claro, que a mineradora vai ter que arcar com todos os custos dessa recuperação. E nós cobraremos isso”, diz.

Após sobrevoar as regiões prejudicadas para averiguar a situação crítica de contaminação do Rio Doce, Dilma informou que a Samarco será, inicialmente, multada em R$ 250 milhões pelo Governo Federal devido ao dano ambiental aos dois estados da região sudeste. Essa é apenas uma sansão preliminar por dano ao meio ambiente e ao patrimônio público, comprometimento da bacia hidrográfica e interrupção de energia elétrica; a partir de estudos aprofundados sobre a situação, como contabilização dos prejuízos aos estados e municípios, cada órgão também poderá aplicar uma multa específica.

Além disso, a presidente apontou que uma equipe de apoio da Samarco deverá atender as necessidades exigidas pelas comunidades prejudicadas. Quando questionada pela Rádio FM Super sobre a eficácia nas ações da Samarco, a presidente afirmou que a empresa devia estar se esforçando mais na causa. “Eu acho que a empresa precisa ser mais proativa, diante do tamanho do desastre. Mais esforço e empenho não faria mal a ninguém e é só isso que eu queria”, aponta.

Foto: Thiago Guimarães / Secretaria de Comunicação ES

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