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  18/09/2020 às 20h53

#Alive


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#Alive

Filmes com a temática apocalíptica de zumbis sempre trazem aspectos muito parecidos. Lógico que as histórias tentam renovar sempre esse subgênero do terror idealizado pelo incrível George A. Romero e desde os tempos deste cineasta talentoso, uma das coisas que não podem faltar é justamente o discurso social e político na narrativa das obras.

E desta vez, a Netflix traz em seu #Alive, uma forma outra perspectiva para se algo assim acontecesse, onde as pessoas enclausuradas precisam lidar não apenas com o perigo dos mortos-vivos, mas com as necessidades que possuem e a falta de tantas outras! Novamente os sul-coreanos contando boas histórias daqueles que voltaram à vida querendo apenas carne humana!

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Joon-woo acorda para mais um dia qualquer em sua vida. Ele vê um recado deixado por sua mãe e logo parte para jogar on-line com seus amigos, porém as notícias sobre estranhos ataques de pessoas começam a surgir e logo, Joon-woo se vê em meio a um surto que está transformando os mortos em zumbis. Assim, conforme dos dias passam, o jovem precisa se manter à salvo mesmo com pouca comida e com o perigo batendo a sua porta, mas tudo pode mudar quando uma vizinha passa fazer contato e esta pode ser a chance de serem resgatados!

Il Cho comanda a produção da Netflix usando bem dos elementos que fazem deste tipo de produção um ponto a mais para as histórias de mortos-vivos na cultura pop.

Transformando seus zumbis em verdadeiras ameaças, o diretor cria boas sequências de ação e ataques, ao mesmo tempo que mescla com as situações de sobrevivência, criando uma atmosfera de tensão palpável e aceitável diante do cenário do protagonista.

Ao mesmo tempo, ao delimitar o espaço e as interações, a direção explora bem os conflitos, as situações e decisões que os personagens irão tomar diante dos perigos. O gera sequências que nos fazem tentar adivinhar o que virá a seguir como quando surge uma policial na rua lutando para sobreviver ou quando um dos zumbis começa a escalar um dos prédios em busca de fazer mais uma vítima. Tais momentos são executados com precisão.

Contudo, o filme perde força pouco antes do seu clímax quando uma inserção de personagem na história acontece de última hora, nos remetendo a tantas outras obras do gênero que já vimos, porém o que poderia ser um adendo dramático e tenso a película, acaba reduzindo o clima apreensivo criado anteriormente. Ou seja, não precisava de tal situação!

A narrativa de #Alive procura unir duas questões interessantes e atuais: o uso das redes sociais e internet constantemente para comunicação e o isolamento social. A quem diga que este filme não soube trabalhar o último ponto tão bem quanto o francês 'A Noite Devorou o Mundo', contudo, ambas obras possuem nuances muito peculiares em suas propostas e por isso funcionam sem a necessidade de exaltar um e diminuir outro.

Assim, a história vai nos mostrando as reações e ações de Joon-woo ao longo dos dias em que a "pandemia zumbi" começa a tomar força. Isolado em seu apartamento, sozinho, pois seus pais e irmã estavam fora, pouco a pouco vamos entendendo o que a figura do rapaz talvez representasse e ao mesmo tempo suas frustrações em decorrência de sentir-se impotente diante de alguns acontecimentos. O que o leva a diversas crises, desde um ataque de coragem e até mesmo a ansiedade que se torna em vontade de tirar a própria vida.

Por isso, Kim Yoo-bin se torna uma verdadeira "ferramenta" para ajudar o rapaz a sobreviver, tanto com recursos básicos, quanto nas conversas que vão acontecendo. Contudo, ambos sabem que ficar ali não é o adequado e a saída será tão arriscada quanto a permanência. E em meio a tudo isso, a produção acerta em colocar certos pontos de crítica a tecnologia, como nos fones de ouvido que não possuem cabos ou apetrechos que poderiam ser usados para comunicação, mas que não sabem ser construídos. Ademais, o texto estabelece nisso uma conexão com as redes sociais, seu papel em informar, ou não, e o quanto certas informações podem se tornar cruciais em momentos de extrema necessidade.

#Alive é um filme de zumbis com personalidade, dinamismo e principalmente, traz um discurso interessante sobre as interações e relações atuais, além da importância da tecnologia na vida real. Ao mesmo tempo, a produção faz o seu papel como um filme do gênero, com boa maquiagem, movimentação e mortos-vivos tendo membros despedaçados ao longo da exibição.

Com uma direção competente e que sabe criar uma atmosfera de tensão adequada, o filme apenas perde força quando tenta ser dramático demais pouco antes do seu término, ainda que isso não estrague nem um pouco a experiência. Desta forma, em meio a um apocalipse zumbi adentramos a um novo patamar, aquele onde pessoas irão ficar isoladas e a mercê do perigo.

Por mais que digam que é impossível que algo assim venha acontecer, um fato nisso tudo já se assemelha a realidade: Estamos em isolamento!

#Alive está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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