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  01/10/2021 às 17h13

A Menina que Matou os Pais / O Menino que Matou Meus Pais


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A Menina que Matou os Pais / O Menino que Matou Meus Pais

No dia 31 de outubro de 2002, Suzane von Richthofen abriu a porta da mansão da família no Brooklin, em São Paulo, para que os irmãos Cravinhos, Daniel e Cristian, pudessem acessar a residência. Depois disso eles foram para o segundo andar do local e mataram Manfred e Marísia, os pais da jovem, com marretadas na cabeça! Este foi um dos crimes que mais chocou a sociedade brasileira, principalmente quando os fatos começaram a se desenrolar, revelando que a filha mais velha do casal assassinado havia arquitetado tudo ao lado do namorado, um dos executantes dos homicídios. Os anos passaram, mas curiosidade mórbida de alguns sobre como tudo aconteceu continua e como o sucesso de histórias sobre crimes reais só aumenta, chegou o momento deste caso ir para às telas!

Desta forma, 'A Menina que Matou os Pais'e 'O Menino que Matou meus Pais' chegaram na Amazon Prime Video, sendo dois filmes da mesma história, contadas sob pontos de vista diferentes, sem uma ordem específica. E apesar do grande púbico conhecer a história que muito foi mostrada pela televisão, a construção das obras se faz criativa em certos pontos, porém sustentada pelas atuações que surpreendem, dando ainda mais ênfase nas ações de ambos os protagonistas, a ponto de estabelecer camadas desconhecidas! Não, estes não são filmes para inocentar os assassinos, tão pouco, uma obra que romantiza suas figuras! Pois ainda há um sentimento de assombro quando se fala o sobrenome 'von Richthofen'.

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Em 'A Menina que Matou os Pais', Daniel Cravinhos está diante do Juiz contando suas versões dos fatos. Como conheceu Suzane, o relacionamento que tiveram, a forma era tratado pelos pais da namorada, o jogo manipulativo que a jovem criou para elaborar o plano de assassinato e como tudo o levou a cometer os crimes.

Em 'O Menino que Matou meus Pais', Suzane revela o que Daniel fazia para conseguir o que queria. Como de maneira inteligente adentrou sua família, a influenciou de diferentes formas e a levou a conceber a ideia de que ter os pais mortos seria melhor para o relacionamento dos dois, incluindo a fortuna que herdaria.

Ambas as narrativas são baseadas nos autos dos processos!

Um Crime Brasileiro

Maurício Eça comanda as duas produções de maneira competente e sem divergir muito em suas escolhas de um filme a outro. Como dito anteriormente, você pode seguir a ordem que bem entender para assistir, mas particularmente, recomendamos que assista o "A Menina que Matou..." primeiro!

Esta escolha se dá pelo fato deste ser um filme que prepara o terreno para o momento derradeiro, o depoimento de Suzane. Algo que certamente muitos espectadores querem acompanhar, já que sua índole questionável se fez presente de diferentes formas em jornais ao longo dos anos! Desta forma, o diretor vai "arquitetando" essa personagem para que em "O Menino que Matou..." venhamos a vislumbrar a frieza e sentimentos quase inexistentes diante dos fatos!

Logo, para que essa dualidade funcione, a direção modifica cenas, trilha sonora, perspectivas e até mesmo, posicionamento de câmeras em suas sequências. Apesar de um início de finais idênticos, é o centro dessas histórias que chama a atenção. Se para Daniel, Suzane era figura que aparentava doçura, mas escondia diversas feridas do passado, a levando a planejar tudo, para Suzane, Daniel adentrou sua casa apenas com a intenção de ganhar dinheiro e manipular seus sentimentos. E nesse jogo, Eça altera, reposiciona os protagonistas no mesmo ambiente, porém com reações distintas e entrega o momento derradeiro de maneira visceral e gore!

Contudo, ambas produções sofrem com algumas inconsistências na parte técnica! As transições de cena em alguns instantes não parecem fazer sentido, cenas são jogadas e a mudança de ambiente parece abrupta, sem contar que o excesso de sequências de sexo aparentam ter sido inseridas de maneira aleatória, o que causa o famoso constrangimento, ocupando um espaço da trama que seria melhor aproveitando para entender mais das mentes que estão contando a história!

E nesta história, são as atuações que sustentam o roteiro e carregam o espectador até final.

Carla Diaz vai da doçura à psicose, da sensualidade a insanidade, do amor ao ódio em poucos segundos. O seu olhar é idêntico ao de Suzane em diversas reportagens, seu tom de voz e como demonstra as emoções, ou a falta delas, em cada momento. A atriz não apenas faz com que os demais orbitem à sua volta quando está em cena, mas estabelece uma figura amedrontadora, que há tempos não se via no cinema nacional. Ao mesmo tempo, Leonardo Bittencourt é tão bom quanto, o contraste da figura entre um filme e outro é impressionante, entregando uma atuação sólida, consistente, gerando no público a aversão necessária para com Daniel! A dupla de intérpretes é responsável por trazer as produções uma demonstração do quanto se pode criar diferentes facetas para um mesmo personagem, e o que mais impacta é a verossimilhança em todos os aspectos!

Daniel Cravinhos era um jovem aeromodelista, vencedor de diversas competições que morava com os pais no subúrbio. Um dia passa dar aulas para Andreas, irmão mais novo de Suzane, e logo, passa a se aproximar da garota até que o namoro começa. Contudo, os pais da família von Richthofen não concordavam com essa relação. Daniel muitas vezes se via ofendido e encontrava em Suzane uma jovem introspectiva que aos poucos foi demonstrando o que sofria. Ela revelou os segredos dos pais, e até mesmo, os abusos sexuais que sofreu quando criança, por isso, havia um controle excessivo em sua vida. O auge de tudo foi quando Suzane se viu agredida pelo pai, proibida de ver o namorado e nisso, juntando cada ponto, preparou o plano que tiraria a vida Manfred e Marísia, demonstrando crueldade e um grande poder de manipulação. Daniel sabia que era errado, mas concordou, e junto do irmão, o qual também não queria fazer aquilo, se viram ajudando Suzane a se libertar dos pais abusivos. E o crime foi cometido!

Suzane von Richthofen era uma jovem estudante se preparando para o vestibular quando conheceu Daniel Cravinhos, instrutor de aeromodelismo de seu irmão mais novo, Andreas. Logo, os dois passaram a se envolver e o namoro começou. Mas a jovem entendia que isso seria um problema em sua casa, por isso, saía as escondidas em diferentes momentos. E isso, deixava Daniel irritado. Ele queria que tivessem mais tempo juntos, não apenas isso, pois aproveitava os benefícios do dinheiro da jovem em várias ocasiões. Contudo, Suzane passou a se ver prejudicada nos estudos e em sua vida familiar, e ao ser confrontada pelo pai, ela recorre ao namorado por ajuda. O rapaz sabia o que fazer, sabia como fazer e a quem pedir ajuda. Ele acabaria com o controle da família sobre Suzane e ambos poderiam desfrutar do melhor pós a morte do casal von Richthofen. Suzane apenas concordou. E o crime foi cometido!

Detalhando desta forma parece que temos duas figuras que apenas se deixaram levar pelas circunstâncias e acabaram realizando um ato "pelo instinto" de liberdade. Entretanto, a narrativa trata de mostrar que isso não é a verdade! O interessante dos dois filmes são as contradições que vão surgindo em tela, em como a dupla relata os mesmos pontos, com experiências distintas. Se para Daniel a primeira relação sexual dos dois foi intensa, para Suzane foi uma violência. Se para Daniel, Suzane era mimada e queria tudo da sua forma em todo tempo, para Suzane, Daniel pensava na vida boa que levaria ao seu lado, a influenciando de diferentes formas.

Tudo isso é construído de maneira assertiva, pois esse jogo divergente se faz importante para dinâmica de dois filmes sobre a mesma história! Logo, a curiosidade mórbida faz com que sejamos levados a entender o que cada um passou naquela situação apresentada, como respondeu aquilo e o quanto fez para matar o casal von Richthofen. Talvez a única falha nessa construção é não colocar em evidência a presença de Andreas, irmão de Suzane, figura essencial para quebrar o que havia sido estabelecido diferentes vezes pelo casal em seus depoimentos. Essa falta de uma terceira linha narrativa se faz até preocupante, pois se nos momentos finais não fosse demonstrado a frieza e maldade de Daniel e Suzane, teríamos uma problemática nítida!

Assim, as obras revelam partes das personalidades, das características e da mente dos criminosos. E por mais que o rapaz tente seguir pela linha do "garoto de bem" que foi levado pela manipulação de uma paixão doentia e ela se apresente como uma "jovem donzela" inocente, influenciada pelas atitudes agressivas do namorado, ambos escolheram as armas, agendaram o horário, invadiram a casa, convencendo um ao outro de cometerem um dos maiores crimes da sociedade brasileira!

'A Menina que Matou os Pais' e 'O Menino que Matou meus Pais' é uma ousada empreitada cinematográfica no gênero de crimes reais, realizada com assertividade e competência. os filmes se fazem exímios ao deixar com que os protagonistas contem suas histórias, apresentem traços desconhecido, mas nos lembram da crueldade cometida e das figuras diante de nós como culpados que são. Assim, não importa por onde você irá começar a assistir, o resultado é o mesmo, a demonstração da maldade de uma forma nítida e assustadora em sua verossimilhança com realidade!

Logo, Carla Diaz entrega uma das personagens mais cruéis, intensas e amedrontadora do cinema nacional, estabelecendo não apenas seu talento em tela, mas capacidade que o Brasil possui de contar tais narrativas seguindo caminhos ainda inexplorados, tanto técnica quanto narrativamente.

E se você ainda tem dúvidas sobre o que realmente aconteceu, há livros, artigos, reportagens, que vão além das quase três horas dos dois filmes juntos, porém um fato jamais poderá ser mudado, o sentimento de assombro quando se fala o sobrenome 'von Richthofen' foi estabelecido por Daniel e Suzane!

'A Menina que Matou os Pais' e 'O Menino que Matou meus Pais' estão disponíveis na Amazon Prime Video.

Will Weber
Geek Guia

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