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  30/03/2020 às 10h13

A Casa


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A Casa

*Este filme você encontra na Netflix

O "status quo" é um termo da língua latina para designar o "estado das coisas", ou seja, a forma como as coisas são. E todos nós temos um 'status quo', seja no trabalho, em casa, na família, com os amigos, dentro de um relacionamento, nós temos aquela garantia de que as coisas se apresentam daquela forma pois é assim que deve ser. Porém o que acontece se há uma transformação completa nas coisas ao seu redor? Desde o local onde você mora até mesmo a forma como você desenvolve suas atividades. E se tudo isso, repentinamente deixasse de existir na sua vida e o que era seu, simplesmente só pode ser observado? Em 'A Casa', esses pontos irão surgir na tela para nos confrontar e fazer questionar as atitudes do protagonista!

Então, seja bem-vindo, fique à vontade!

Javier é um publicitário de meia idade que não está conseguindo trabalho em sua área de atuação. E isso faz com que sua família se mude para um bairro mais periférico, deixando o apartamento de luxo que moravam pra trás. Contudo, o homem não está satisfeito com a situação e ao retornar a antiga casa começa um relacionamento com os novos moradores do local para que consiga colocar em prática um plano para recuperar as coisas em sua vida da maneira como devem ser.

David Pastor & Àlex Pastor dividem a direção deste suspense espanhol que para muitos poderia ser comparado ao excelente Parasita, um elogio exagerado, mas que em alguns até faz sentido.

A dupla de diretores escolhe transitar pelos ambientes para nos dar principalmente a sensação de onde estamos, qual local aqueles personagens ocupam e como a mudança de cenário irá modificar também o ritmo da trama. Em seu primeiro ato, entendemos o dia a dia da família de Javier, as dificuldades, suas inúmeras entrevistas, as frustrações e as decisões que precisam ser tomadas. Assim, a câmera faz questão de mostrar passo a passo, instante e sempre nos lembrando que em algum momento, haverá uma transformação.

Quando ocorre passamos a ter uma tensão muito maior no ar, pois ações do protagonista se tornam cada vez mais questionáveis, levando a momentos onde você fixamente está olhando para tela esperando tudo aquilo passar da melhor maneira, como no momento no qual o telefone de Javier toca com ele escondido dentro da casa da outra família. Ali é criado um plano longo, com uma visão que percorre cômodos, ambientes, cenários, justamente para criar uma sensação de claustrofobia e ao mesmo tempo de medo. Contudo, tais situações nos fazem também modificar completamente a forma como vemos o personagem principal e, graças à atuação de Javier Gutiérrez, vamos da compaixão ao ódio por tudo o que é feito em prol dos seus objetivos individuais!

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Junte tudo isso a uma fotografia que usa da iluminação dos ambientes para dar uma sensação incômoda, ao mesmo tempo que o design de produção consegue representar as alterações do "padrão de vida" em cada elemento que aparece em cena.

Começamos esta crítica questionando sobre a vida que cada um gostaria de ter, sobre a mudança de como as coisas são e o que se pode fazer a respeito. Logo, chegamos a um dos pontos interessantes da história, o desejo de conquistar algo que não é seu a qualquer custo.

Nessa linha de pensamento, o protagonista da história, Javier, irá percorrer diversos caminhos sórdidos justamente para que sua vida não seja alterada, pois o seu principal pensamento é de que ele sim, merece o que os outros possuem, muito mais do que aquelas pessoas. E a única forma de se fazer a coisa mais justa, é retirar alguém do seu estado natural e, desta forma, assumir o lugar!

Para isso, o personagem que aparentemente é um senhor inocente vai ganhando traços de psicopatia, terrorismo e sadismo ao longo do filme, contudo entendemos também que um plano que envolve outros, nem sempre ocorre com cem porcento de exatidão, já que duas famílias serão afetadas pelas atitudes, a que lhe pertence e àquela alvo.

Mas será que existiu um pensamento em prol de todos?

Do ato de invadir o antigo apartamento, com pessoas já morando, até um forjado acidente de carro, os limites da maquinação humana pelo seu bem estar são elevados ao máximo, justamente para nos entregar cada vez mais uma atmosfera densa e que surpreende com o seu final.

Tão agridoce quanto o próprio Javier!

E assim, essa "fábula" sobre o estado natural das coisas que sofre uma mudança repentina e desperta a vilania do homem, abraça a cobiça, a luxuria e a avareza para dar "direitos" a quem teve tudo tirado, mesmo que venha acompanhando de sangue.

A Casa é um suspense espanhol que irá tratar dos limites da vontade do ser humano, da capacidade de maquinação e despreocupação com as consequências.
Com uma direção que começa de um jeito calmo, até mesmo vagaroso, mas que vai ganhando cada vez mais força e tensão, a produção vai de uma simples história de uma família em mudança, para um thriller psicológico, graças também a atuação de seu protagonista.

Se transformações do que está relacionado a nossa vida acontecem, qual seria o melhor modo de absorver isso? Aceitando? Relutando? Ou olhando para a "grama do vizinho"? O fato é que nem aquilo que se mais almeja é perfeito, haverá sempre uma ranhura, um ponto destoante ou uma pia que não para de gotejar!
Tem certeza de que deseja entrar nesta casa?

Will Weber
Geek Guia

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