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  05/10/2021 às 10h31

007: Sem Tempo para Morrer


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007: Sem Tempo para Morrer

Uma das franquias mais longas da história do cinema é com certeza 007! Um total de 25 filmes, e mais três não-oficiais, permeiam a história do agente secreto mais famoso da cultura pop! E certamente um dos questionamentos atuais está relacionado em como deixar as histórias ainda relevantes e próximas do público atual. Pois os espectadores mudam e James Bond precisa seguir o mesmo ritmo, ainda que seja necessário revirar o passado para continuar trilhando um caminho de sucesso!

Deste modo, '007: Sem Tempo para Morrer', chega aos cinemas como uma despedida de Daniel Craig do papel, de igual modo, abraça o legado da franquia para preparar uma trajetória diferenciada para as possíveis adaptações futuras. O resultado disso, coloca James Bond em um turbilhão de acontecimentos, entrega inúmeras referências às outras missões, acerta no humor empregado no roteiro, mas se estende em pontos em que não precisava. Ou seja, a piada com o título faz todo sentido em vários momentos em que você só pensa na sala de cinema: "Sem tempo irmão para um filme tão longo". Porém, ainda assim, é uma despedida digna!

James Bond não é mais um agente e procura viver uma vida normal ao lado de Madeleine. Contudo, a Spectre o encontra e justamente a pessoa que ama, parece esconder segredos. Logo, quando uma arma viral é roubada, Bond se vê em meio a uma conspiração que colocará não somente partes do seu passado à tona, mas algo que o MI-6 também esconde. Assim, o ex-agente 007 deverá enfrentar uma ameaça que pode se tornar global antes que seja tarde.

Cary Fukunaga comanda a produção que é última da era "Daniel Craig" em 007. E desta forma, se coloca a desenvolver uma trama repleta de homenagens e referências ao que foi realizado antes, ao mesmo tempo que firma algo que essa nova leva de filmes iniciados em 2006 deixou bem claro, os três dígitos que dão o codinome ao agente são apenas números que podem ser passados facilmente para outros, porém, James Bond ainda é icônico.

E o diretor conhece esses elementos e os utiliza ao seu favor. As sequências de ação são bem coreografadas, possuindo inserções interessantes, como longos planos que não sabemos ao certo onde irão finalizar, fazendo com que a câmera passeie por entre os cenários e nos dê a visão das ações dos personagens como um todo. Logo, todo o arco em Cuba e a missão final no covil do vilão, se tornam momentos de ação emblemáticos, repletos da cafonice de James Bond, mas que funcionam primorosamente em tela.

De igual modo, a trama se desenvolve de maneira competente, remetendo a pontos que conhecemos da franquia, figuras do passado, e isso costura para uma ameaça que aparenta ser "pessoal", se tornando algo global. Deixando o perigo em questão ainda mais eminente no decorrer da história.

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Apesar desses acertos, a produção se estende em demasia com situações não precisam e em vários instantes se torna uma ida e vinda por lugares que parecem não se encaixar de maneira correta dentro da narrativa. O que pode torar para o espectador tudo cansativo, principalmente no segundo ato. Outra discrepância é o antagonista da história. Por mais que seu plano seja interessante, as motivações são rasas e a atuação de Rami Malek até procura emular as excentricidades vilanescas já feitas na saga de James Bond, contudo, é raso, inconsistente, sem nenhum acréscimo de personalidade!

Em contrapartida, Daniel Craig parece estar à vontade em seu papel derradeiro como 007. Deixando de lado aquelas expressões blasé que demonstravam estar ali pelo contrato. Há uma entrega real em todos os momentos, o que constrói uma despedida emocionante. Já Lashana Lynch é a 007 digna do código de agente, pois carrega cada um dos elementos que fazem parte da personagem, desde sua prepotência, até o estilo único, sem contar que sua presença em cena que ocupa devidamente o espaço! 

Cassino Royale, Quantum of Solace, Skyfall, Spectre e Sem tempo para Morrer. Estes cinco filmes de James Bond expressam bem as mudanças que a franquia quis trazer nos últimos anos. Colocando um agente mais "humano", com traumas, falhas e situações em que as escolhas iam além da licença para matar! E aos poucos, todas as narrativas se faziam convergir para um final derradeiro para este 007.

Por isso, a escolha de um roteiro repleto de homenagens é a mais assertiva possível. Isso nos faz meio que permear todo o caminho deste Bond desde o começo, passando por cada uma de suas fases até chegar no momento crucial do personagem. E diferente do demais, este simplesmente não some ou nunca mais é citado, sua partida é fundamentada e construída ao longo da produção, o que poderá fazer o fã mais intenso derramar uma lágrima.

E para chegar nesse momento, o texto escolhe vasculhar o passado do personagem e de quem o cerca, estabelece as conexões já conhecidas, encerrando-as de maneira surpreendente e cria um caminho interessante para que novas figuras venham a surgir. Quebrando paradigmas, estereótipos e afirmando ainda mais que a alcunha de "007" é apenas uma "matrícula" que pode ser transferida para um novo funcionário. Apesar do peso do legado, quem se apresenta como tal, sabe muito bem como demonstrar isso em tela!

Contudo, algumas escolhas são previsíveis e deixam determinadas situações enfadonhas. Explicações do passado se repetem, um mistério familiar é estabelecido, apesar de óbvio, e todo o discurso do vilão é impossível de abraçar devido a caracterização e atuação descompassada!

Mas este é um filme de despedida, e assim realiza o fechamento de era com cafonice, estilo, ação e mais uma figura emblemática para o cinema! E se essa mistura não é 007 puro, não sabemos o que é!

'007: Sem Tempo para Morrer' entrega o encerramento digno para uma fase repleta de novidades de um dos agentes secretos mais importantes da cultura pop. E ao trabalhar uma trama com diversas referências a franquia, e de igual modo abraçar a cafonice do passado com a modernidade, conquista o público por sua ação bem executada, pelo tom de humor assertivo e com toda atmosfera de despedida para mexer com os fãs de 007!

Logo, o 25º filme da franquia de James Bond chega aos cinemas com seu tom de "adeus", ao mesmo tempo que reverencia todo o legado do agente 007. E ao preparar o caminho para novas missões, a produção se estende demais em pontos desnecessários e não sustenta o vilão, algo sempre considerado icônico nos filmes.

E entre erros e acertos, tiros, explosões, e missões perigosas, podemos dizer que sim, temos tempo para mais essa aventura de Bond, James Bond no cinema. Já o futuro, nos resta esperar!

'007: Sem Tempo para Morrer' está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia 

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