K Entre Nós
  21/02/2020 às 14h20

K Entre Nós | Cada um tem a sogra que merece?


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K Entre Nós | Cada um tem a sogra que merece?

Não importa se a sua é boa ou ruim, o termo sogra já vem carregado de questões arraigadas como: chata, fofoqueira, ciumenta, enfim, como alguém que perturba a paz mundial. Não é à toa que temos muitas frases e piadas pejorativas com o termo sogra. Todo mundo sabe alguma!

Mas por que a sogra exerce esse papel na sociedade? Uma das explicações vem daquele texto sobre ciúmes, do k entre nós da semana retrasada. A pessoa gera, cria, cuida e logo se sente ameaçada pela possibilidade da perda. E como abordamos no programa, isso não faz o menor sentido. Primeiro porque o lugar de afeto de um filho não é o mesmo de um cônjuge, segundo que a pessoa não pode procriar com seu progenitor.

Mas muitas mães tem isso em mente e mesmo assim começam a se comportar de modo territorialista, muitas vezes a fim de proteger a cria (afinal, ela fez isso por longos anos e só Deus sabe o quanto ela sofreu) e também a fim de proteger seu espaço na vida do filho ou da filha, que antes era "apenas" dela. São uma série de comportamentos que acabam por desagradar e até colocar o filho em saia justa, mas que na mente da sogra em questão, faz todo sentido. Vamos falar de mães e sogras só para não estender o texto, porém temos pais e sogros na mesma situação, vale para ambos.

Acontece que realmente faz sentido. Ter uma sogra territorialista não é fácil e ser uma sogra boa também não é tarefa das mais fáceis. Aliás é muito delicado. Pense você e um melhor amigo, anos de amizade, você aprendeu a lidar com todo o jeito de ser da pessoa e já se adaptou a seus defeitos. Aí, do nada, ele resolve chamar outra pessoa para a amizade de vocês e você percebe que além de ter que aprender do zero a personalidade de uma pessoa estranha, ainda observa que o comportamento do amigo não é mais o mesmo perto daquele novo elemento.

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Este é um sentimento parecido com o que a maioria das sogras experimentam. Um filho geralmente é o bem mais precioso de uma mãe (salvas as exceções das relações doentias, que complicam mais ainda e não caberia aqui agora). E ter que aprender uma nova dinâmica, observar uma terceira pessoa tratando como não gostaria, vendo o filho "mudar de comportamento" é extremamente aversivo para muitas mães, que acabam por entrar em guerra com qualquer ser humano que se aproxime da cria.

Porém, nós como seres racionais que somos, podemos perceber os sentimentos e reagir de acordo com o que acreditamos. E a melhor via de se ter um bom convívio é a do respeito. A mãe respeitar as escolhas do filho e o genro ou nora respeitar os sentimentos da sogra. É o famoso engolir sapo. E um sapo bem indigesto, pois aguentar coisas da nossa família de sangue já não é coisa fácil, imagine de pessoas com universos e culturas diferentes.

Porém vai aí uma boa notícia. O sapo pode ser bem preparado, temperado e virar um belo prato principal! Isso ocorre quando há respeito de ambas as partes. Tomando atitudes sempre respeitosas, aos poucos o estranhamento vai passando e um genro, uma nora e até uma sogra se tornam um membro da família. Uma pessoa que agrega e que faz falta quando ausente. Cada um com seu papel, cada um no seu lugar. Mas observe, isso é um processo e acontece aos poucos.

E temos também as felizes exceções. Quando a pessoa que vai entrar na família já entra desejando o carinho e o respeito dos pais do companheiro combinado com pais que respeitam as escolhas dos filhos e acolhem quem eles trazem como filhos, a chance de dar errado é mínima. E não pense que dar certo é nunca discutir porque isso não existe em relação nenhuma, apenas entre as plantas, mas só porque elas não falam.

Dar certo é quando há amor e respeito acima de qualquer diferença. É apreciar o que há de bom e tolerar o que há de ruim. Uma sogra inicialmente gerou o amor da sua vida e pode vir a ser avó de seus filhos. Um genro ou nora é o amor da vida de um filho seu, que você gerou com muito carinho e agora está colocando em prática o amor que foi dado para gerar sua própria família e que possivelmente podem te dar netos.

A questão maior é essa, pensar para além do pessoal, além do próprio umbigo. Entrar na vida de outra pessoa não é tarefa simples, mas quem sabe fazer deixa uma marca positiva para sempre.  Que tal começar hoje a melhorar seu relacionamento com sua sogra, nora ou genro? Tentar e não conseguir é melhor do que se vitimizar e aceitar algo ruim. Confie em mim, pouco a pouco as coisas mudam. É aquele ditado antigo, água mole em pedra dura...

Reavalie suas relações, elas podem sempre melhorar, nem que seja um pouquinho de nada!

Um abraço e até o próximo texto!

Marcelle Paganini
Psicóloga e Sexóloga

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