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  08/03/2019 às 13h21

Mulheres se unem e saem às ruas para conscientizar sobre a violência doméstica no ES


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Mulheres se unem e saem às ruas para conscientizar sobre a violência doméstica no ES

O lugar que deveria ser de paz, é o tormento pra algumas mulheres: é dentro de casa que muitas sofrem caladas. Mas é dentro de casa que a Jeovania Barcelos e a filha se organizam para que as mulheres, vítimas de violência, falem. Ela é presidente do Guerreiras da Paz, um grupo criado na Grande São Pedro, em Vitória, para conscientizar sobre a importância das denúncias.

Com o próprio dinheiro, as duas produzem cartilhas informativas baseadas em leis e também nas experiências diárias, depois de já terem ouvido tantas histórias.

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"Ainda têm muitas mulheres que sofrem caladas, dentro dos próprios lares, sem direção, sem saber onde buscar ajuda. Quando uma mulher é vítima de violência, você percebe. A mulher começa a ficar triste, ela se exclui de toda a sociedade, e é nesse momento que a gente identifica", explicou Jeovania.

Jeovania é a presidente do grupo Guerreiras da Paz — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Usando a informação como munição contra a violência, mãe e filha vão para as ruas e ganham apoio de outras voluntárias. Juntas, conscientizam mulheres, como aconteceu com a dona de casa Alessandra Souza Silva, nesta sexta-feira (8).

"Existem muitas mulheres que sofrem caladas e que não têm coragem de falar. Conheço muita gente assim", falou.

As voluntárias, muitas vezes, conhecem mulheres que estão sendo vítimas de violência e sabem onde moram. Mas segundo, Jeovania, a abordagem nas ruas é a que dá mais resultado, pois nas casas, as vítimas não costumam receber as voluntárias e descartam os materiais informativos.

"Nesse quadro de dependência financeira, dependência sentimental, elas ficam meio acuadas de fazer uma denúncia. Elas também ficam na esperança de que ele vai mudar. Têm mulheres que a gente entrega panfleto e elas ficam receosas de levar esse papel para dentro de casa, pois é dentro do lar que essa violência acontece. Na abordagem na rua, as mulheres têm mais coragem de desabafar", explicou Jeovania.

As voluntárias abordam também mulheres em ônibus, orientam sobre abusos, constrangimentos que muitas costumam passar todos os dias.

Uma das 70 voluntárias é a dona Elizabete de Jesus, que está desde a fundação do grupo. A filha dela já foi vítima de violência dentro de casa.

"Apanhava muito do esposo, que é o pai da minha neta. Hoje ela separou dele. Através desse projeto que iniciamos em São Pedro, conseguimos resgatar essas filhas que sofrem violência", falou.

Para elas, esse alerta para que aconteçam denúncias é primordial para que se faça valer a lei. As Guerreiras da Paz conscientizam não só as mulheres, mas também os homens.

"A mulher cuida da sociedade, do lar, dos filhos, e nós estamos sendo maltratadas. tem que ter respeito, a lei tem que ser rígida. Se o agressor bateu na mulher, ele tem que ser preso. Todo dia, você liga a TV e tem notícia de mulher sendo agredida, assassinada, até quando?", questionou Jeovania.

Grupo também aborda homens para conscientizá-los — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Dados
No Espírito Santo, em 2018, foram feitos 33 registros de feminicídio, ou seja, de casos em que mulheres foram mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. O número é menor que é 2017, quando 42 casos ocorreram.

E esses números - infelizmente - não param -, dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontam que somente neste mês de janeiro de 2019 já foram seis casos de feminicídio no Espírito Santo.

Casos de feminicídio em 2018 no Espírito Santo — Foto: Arte/G1

Por G1 ES

Link da matéria original:
https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2019/03/08/mulheres-se-unem-e-saem-as-ruas-para-conscientizar-sobre-a-violencia-domestica-no-es.ghtml

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